terça-feira, 15 de setembro de 2009
Rumo
Ela estava sozinha. E sabia que por mais que caminhasse, por mais subidas que subisse, por mais descidas que descesse ia continuar perdida. Sem rumo ou direcção. Mas mesmo assim, não desistiu. Continuou , mesmo sabendo que o tempo se ia esgotar, que o coração não ia aguentar e que a esperança iria terminar. E foi no momento em que tudo se estava a esvaiar que , no meio de ruas desgostosas e amargas surgiu uma ruela onde a magia parecia nunca acabar. Uma pequena rua onde existiam mãos a apoiarem, corações ilimitados e sorrisos constantes. Uma pequena rua onde as cores testemunhavam a felicidade e inauguravam a palavra incondicional. Ela pensou que estava no céu, no paraíso ou em qualquer lugar diferente do mundo onde pensava que supostamente vivia . Continuo a caminhar até que á sua frente apareceu um rapaz . Não era loiro nem moreno . Não era alto nem baixo. Não era chato nem interessante. Era só e nada mais do que um rapaz para ela. Mas ela era mais do que isso para ele. Ela era a pessoa a quem ele ia mudar a vida. "Benvinda á rua do amor." E foi aí que ela percebeu que aquela rua não tinha fim. Que nunca ia acabar . Nem que alguma vez se iria gastar. E, como uma formiga que acaba de receber uma migalha, ela sorriu como nunca dantes o tinha feito.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Quinteto fantástico
Foi num belo dia , ou talvez de não, que cinco nomes de cinco raparigas foram colocados na turma A ,num curso ao qual chamam ciências e tecnologias. Um procedimento vulgar e normal que muito provavelmente não mudar as vidas delas para sempre. Mas que neste caso ia mudar uma grande parte. No início assustaram-se e até se chegaram a arrepender da escolha que tnham tomado mas depressa perceberam que se juntassem, tudo iria ser mais facíl. Ou pelo menos parecer mais facíl. Passaram juntas pelo choque dos primeiros testes, pelas olheiras das noitadas a estudar, pelas musícas das festas dos finalistas, pelos primeiros amores de secundário ,ou o que restou deles ,e também pelas discrepancias de uma turma demasiado grande. Tiveram as suas zangas tal como tiveram as doses de riso colectivas e as noites de maluqueiras. Fizeram de uma vulgar sexta feira á noite no messeger uma noite animada onde se fala de um pouco de tudo e em que tudo se mantem no segredo dos deuses. Ou neste caso, das deusas. Juntas perceberam tudo se resolve. Bem, quase tudo. Agora , agora esperam continuar juntas. Segundo alguns , a espalhar o terror.Segundo elas a viver. A crescer e tentar ir mais longe do que o habitual. Esta é a história de cinco raparigas ,com os piores ou os melhores defeitos do mundo, que o destino decidiu juntar e que elas vão tentar não separar.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Á primeira vista
Estava um dia de Sol , calor e poucas nuvens no céu . Uma suave brisa corria pelo ar fazendo mover , muito ligeiramente, as folhas das videiras em que as uvas transmontanas já começavam a escurecer. Um breve olhar a dezenas de metros bastou para que subitamente ela percebe-se que ele ia ser tudo para ela.
Nesse dia mais do que nos outros, uma inexplicavél graciosidade invadia-o totalmente. O azul claro da sua camisola fazia com que os seus olhos brilhassem como antes ela nunca tinha visto num rapaz. Um azul de um mar exótico e cheio de corais. A cor do céu onde todos os deuses vivem. Sem se apreceber, acelerou o passo da caminhada. Os dolorosos sapatos que levava calçados deixaram de lhe causar dor. O maior sorriso da sua vida invadiu a sua cara . O bater do seu coração acelerou repentinamente. Nos 10 segundos que lhe restavam até chegar ao pé dele ,ela correu. Correu como se o amnhã não existisse. E , foi quando apenas poucos centímetros distanciavam os seus corpos que , para eles, o tempo parou. Ou pelo menos assim lhes pareceu ser.Ela não sabia nome dele. Ele não sabia o nome dela. Mas ambos sabiam que a atracção que unia os seus lábios era infinita. E que tudo o resto não interessava.
Nesse dia mais do que nos outros, uma inexplicavél graciosidade invadia-o totalmente. O azul claro da sua camisola fazia com que os seus olhos brilhassem como antes ela nunca tinha visto num rapaz. Um azul de um mar exótico e cheio de corais. A cor do céu onde todos os deuses vivem. Sem se apreceber, acelerou o passo da caminhada. Os dolorosos sapatos que levava calçados deixaram de lhe causar dor. O maior sorriso da sua vida invadiu a sua cara . O bater do seu coração acelerou repentinamente. Nos 10 segundos que lhe restavam até chegar ao pé dele ,ela correu. Correu como se o amnhã não existisse. E , foi quando apenas poucos centímetros distanciavam os seus corpos que , para eles, o tempo parou. Ou pelo menos assim lhes pareceu ser.Ela não sabia nome dele. Ele não sabia o nome dela. Mas ambos sabiam que a atracção que unia os seus lábios era infinita. E que tudo o resto não interessava.quarta-feira, 15 de julho de 2009
...Capítulo 3
Três meses. Mais concretamente três meses , dois dias e sete horas.Por mais que queira vai ser impossível esquecer. Por mais psicólogos, psiquiatras, terapias e tratamentos nunca irei conseguir. Nunca irei apagar os pensamentos e pesadelos, acabar com o sofrimento e acordar para um novo dia. "I just wanna be ok , be ok ..." são as palavras avassaladoras que ainda invadem a minha mente. As palavras que antecederam a sua morte. As palavras que me distrairam e me fizeram olhar para ela. As palavras que ditaram o nosso destino.
O nascer do Sol calmo e sereno, o calor arrebatador, o clima tropical e um silêncio harmonioso quase perfeito. Para alguns a combinação perfeita para umas férias românticas e relaxadas. Para mim uma simples e complexa maneira de acalmar a dor , de escapar á rotina e tentar apagar todas as memórias e cicatrizes.
Nos ultímos dias, na minha pequena habitável cabana no meio de uma ilha das Caraíbas, comecei a escrever um livro, e a partir desse momento que algo fui invadido por uma estranha sensação: inicialmente de forma inocente e inofensiva mas que rapidamente se tornou traiçoeira, rápida e assustadora. Nada mais do que sensação de estar a ser espiado, vigiado e controlado. A sensação de que alguém me quer ver morto.
Porta destrancada. Demasiado Fácil. Três passos até estar nas costas do alvo.Ligeiros mas gesticulados. O movimento de levar a mão ao bolso. Silencioso e rápido.Um pouco de éter num pequeno pano branco,um golpe eficaz e mil doláres na conta na segunda feira seguinte.
" Sim senhor.Todos os vestígios foram eliminados. Estamos a caminho."
O nascer do Sol calmo e sereno, o calor arrebatador, o clima tropical e um silêncio harmonioso quase perfeito. Para alguns a combinação perfeita para umas férias românticas e relaxadas. Para mim uma simples e complexa maneira de acalmar a dor , de escapar á rotina e tentar apagar todas as memórias e cicatrizes.
Nos ultímos dias, na minha pequena habitável cabana no meio de uma ilha das Caraíbas, comecei a escrever um livro, e a partir desse momento que algo fui invadido por uma estranha sensação: inicialmente de forma inocente e inofensiva mas que rapidamente se tornou traiçoeira, rápida e assustadora. Nada mais do que sensação de estar a ser espiado, vigiado e controlado. A sensação de que alguém me quer ver morto.
Porta destrancada. Demasiado Fácil. Três passos até estar nas costas do alvo.Ligeiros mas gesticulados. O movimento de levar a mão ao bolso. Silencioso e rápido.Um pouco de éter num pequeno pano branco,um golpe eficaz e mil doláres na conta na segunda feira seguinte.
" Sim senhor.Todos os vestígios foram eliminados. Estamos a caminho."
segunda-feira, 6 de julho de 2009
... Capítulo 2
Nos segundos que se seguiram o meu coração parou. Ou pelo menos tentou parar. O uníco pensamento que habitava na minha pequena cabeça era o facto de me ter esquecido de meter o rímel.
Tic-tac.Tic-tac.Tic-tac. O som do tempo a passar de forma apressada , ofegante e imparável. Um minuto passado.
De forma mecânica e articulada levanto-me da cadeira, coloco a chávena no lavatório, pego na minha mala, uma channel de 300 euros, e corro para a porta de saída. Normalmente iria pelo elevador ,mas as escadas são certamente uma escolha mais acertada.
Num espaço de 30 segundos desloco me até ao res-de-chão. "Bom dia menina Clara" comprimenta o velho e porteiro, sr. Manuel. Numa tentativa desinteressada exprimento responder, mas a secura da minha garganta impede-me de pronunciar qualquer tipo de palavras.
É de forma rápida que um taxi pára em frente ao prédio,permitindo que só alguns pingos de água percorram as fibras do meu casaco vermelho.
"O que se está a passar na minha vida ? " é a pergunta que assombra e percorre os meus neurónios nos segundos que antecedem a um barulho infernal , seguido de gritos,vindos de trás de mim. O meu olhar apressa-se para trás e sinto a pele da minha cara empalidecer. O prédio de onde tinha saído há segundos acaba de se desmoronar e as chamas consomem o que resta dele. "Uma bomba.Aqueles animais fizeram explodir uma bomba ", penso enquanto a raiva e um medo infinito me consomem.
Olha para o outro lado do banco onde me encontro sentada e vejo que sobre ele está um passaporte e um bilhete de avião.Portugal dizem as letras a preto que preenchem o espaço abaixo da palavra destino.
"Os dados estão todos correctos menina?" pergunta o condutor do táxi, ao mesmo tempo que os primeiros raios de Sol aparecem por entre as nuvens.
domingo, 5 de julho de 2009
..... Capitulo 1
Era impossível nao ouvir. O barulho penetrável da chuva a cair sobre os vidros que por cima de mim se encontravam. Nem tudo num sotão de tecto vidrado e brilhantemente decorado podem ser vantagens, pensei eu. Sete horas e vinte e oito minutos, de uma segunda feira. Apesar dos dois minutos de sono ainda disponivéis, decidi levantar-me.
Tomar banho, vestir , fazer a cama, meter o leite no microondas, ligar a televisão, dar comida ao pequeno peixe, retocar a maquilhagem e sair. Sair para mais um dia. Mais um dia similar a todos os outros.Com o mesmo rumo, o mesmo destino e a mesma rotina. Mais um dia, na cidade que todos desejam ou todos repugnam. Nova Iorque, A grande maçã.
Não me posso esquecer de ligar á Maria, pensei enquanto saboreava um pequeno trago de café com leite. Nem muito quente nem muito frio. Simplesmente perfeito.
O telefone a tocar. A dois minutos de sair de casa. Ás oito horas e vinte e seis minutos. Aconteceu alguma coisa de grave, ganhei alguma viagem ou então fui despedida. Num pequeno gesto em que o meu dedo clica sobre a tecla com o símbolo verde do meu télemovel ,atendo a chamada.
"Menina Clara fala do FBI. Tem 3 minutos para sair de casa, ou a sua segurança será posta em causa. Diriga-se ao aeroporto. A partir de agora o seu nome será Kate. Kate Stevens. "
E isto foi a mudança da minha vida. Em quinze segundos.
sábado, 4 de julho de 2009
A tempestade do destino
Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.
Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'
(...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.
Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…)
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…)
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(…)
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Fernando Pessoa.
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Fernando Pessoa.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Move on
Talvez seja esta a altura certa. O virar de uma página. O início de um novo capítulo. Ou mesmo o fim de um livro.
É altura de esquecer. De apagar tudo o que ainda cá está. De abrir os olhos. De agir em vez de pensar. De viver em vez de sonhar.
Andar em frente e não olhar para trás.
Talvez não seja isto o que eu quero. Mas é isto que eu preciso.
É altura de esquecer. De apagar tudo o que ainda cá está. De abrir os olhos. De agir em vez de pensar. De viver em vez de sonhar.
Andar em frente e não olhar para trás.
Talvez não seja isto o que eu quero. Mas é isto que eu preciso.
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