Nos segundos que se seguiram o meu coração parou. Ou pelo menos tentou parar. O uníco pensamento que habitava na minha pequena cabeça era o facto de me ter esquecido de meter o rímel.
Tic-tac.Tic-tac.Tic-tac. O som do tempo a passar de forma apressada , ofegante e imparável. Um minuto passado.
De forma mecânica e articulada levanto-me da cadeira, coloco a chávena no lavatório, pego na minha mala, uma channel de 300 euros, e corro para a porta de saída. Normalmente iria pelo elevador ,mas as escadas são certamente uma escolha mais acertada.
Num espaço de 30 segundos desloco me até ao res-de-chão. "Bom dia menina Clara" comprimenta o velho e porteiro, sr. Manuel. Numa tentativa desinteressada exprimento responder, mas a secura da minha garganta impede-me de pronunciar qualquer tipo de palavras.
É de forma rápida que um taxi pára em frente ao prédio,permitindo que só alguns pingos de água percorram as fibras do meu casaco vermelho.
"O que se está a passar na minha vida ? " é a pergunta que assombra e percorre os meus neurónios nos segundos que antecedem a um barulho infernal , seguido de gritos,vindos de trás de mim. O meu olhar apressa-se para trás e sinto a pele da minha cara empalidecer. O prédio de onde tinha saído há segundos acaba de se desmoronar e as chamas consomem o que resta dele. "Uma bomba.Aqueles animais fizeram explodir uma bomba ", penso enquanto a raiva e um medo infinito me consomem.
Olha para o outro lado do banco onde me encontro sentada e vejo que sobre ele está um passaporte e um bilhete de avião.Portugal dizem as letras a preto que preenchem o espaço abaixo da palavra destino.
"Os dados estão todos correctos menina?" pergunta o condutor do táxi, ao mesmo tempo que os primeiros raios de Sol aparecem por entre as nuvens.
1 comentário:
estou espantado com o teu jeito para a escrita, continua estou a gostar muito, fica à espera dos próximos capitulos.
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